Somos Franciscanos e pretendemos partilhar, através deste meio, a nossa vida com todos os homens e

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Maputo, Maputo, Mozambique
FRANCISCANOS OFM DE MOÇAMBIQUE

quinta-feira, 21 de novembro de 2013


ORDEM DOS FRADES MENORES

CUSTÓDIA DE SANTA CLARA DE ASSIS DE MOÇAMBIQUE

 

A RECONCILIAÇÃO NACIONAL COMO PRESSUPOSTO PARA A PAZ

 

À Família Franciscana de Moçambique,

Às Comunidades Cristãs,

Aos Dirigentes dos Partidos Políticos de Moçambique e

Aos Homens e Mulheres de Boa Vontade.

 

Há mais de um ano que o nosso País vive uma situação que, progressivamente, passou de uma simples instabilidade política para um estado tal, em que se começou a delinear um autêntico espectro de uma guerra civil que evoca os Acordos Gerais da Paz (AGP) assinados em Roma, no dia 4 de Outubro de 1992, entre a Frelimo e a Renamo. O repudiado clima de guerra manifesta-se nas suas diversas formas como, por exemplo, nos repetidos incidentes militares entre as Forças Armadas de Defesa e Segurança de Moçambique (FADM e FIR) e os homens armados da Renamo; na multiplicação e na intensificação de atitudes de intolerância e de reacções extremas, entre os signatários dos Acordos de Roma; nos frequentes ataques a viaturas de transportes civil e de mercadorias que, além de comprometerem o percurso normal dos projectos de desenvolvimento económico, destroem as vidas humanas; nos raptos e sequestros de pessoas nos grandes centros urbanos como Maputo, Matola e Beira; na fuga e no abandono de populações inteiras dos seus lugares de residência e a consequente interrupção das actividades escolares; no abandono dos seus lugares de trabalho, de uma parte dos agentes de Saúde, nas regiões directamente afectadas pela instabilidade. A partir das cifras divulgadas oficialmente contam-se, nos últimos sete meses, mais de uma centena de vidas humanas que foram inutilmente colhidas nos assaltos a posições militares, nos ataques a civis e nas confrontações entre os grupos militares dos dois maiores partidos.

 

Diante deste indesejado quadro da situação político-militar moçambicana e receando que o clima de intolerância e de violência, que se apoderou das mentes e dos corações dos dirigentes políticos de ambos os partidos signatários dos AGP venha a degenerar numa guerra de todos contra todos, nós, os Frades Menores da Custódia de Santa Clara de Assis de Moçambique, a exemplo do nosso pai fundador, São Francisco de Assis - arauto da paz, cuja festa se celebra, precisamente, no dia 4 de Outubro que, por coincidência, é o dia da Assinatura dos AGP para este nosso País - Moçambique – queremos, humildemente, convidar

 

·         A Família Franciscana de Moçambique,

·         Os Cristãos de toda a Igreja de Moçambique,

·         As Classes Dirigentes do Partido no Governo e dos Partidos da Oposição,

·         Os Homens e as Mulheres de Boa Vontade,

a rezar pela graça da Paz no nosso País.

 

A paz autêntica é um dom de Deus: «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz» - diz Jesus. Ele ainda acrescenta: «Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou» (Jo 14, 27). A paz dos homens é, muitas vezes, imposta pela força. Este tipo de paz dura enquanto a parte vencida – desarmada, humilhada e espezinhada pela parte vencedora – não tiver capacidade autónoma para reagir, ou não tiver encontrado ainda um aliado interessado em esposar a sua causa. Contrariamente à paz dos homens, que é fruto do domínio absoluto do mais forte, a paz que Deus nos promete é fruto da reconciliação, através da verdade na caridade. Por isso, a oração que convidamos todas as categorias sociais a fazer é, particularmente, a celebração ritual da reconciliação unida a gestos concretos de pacificação interpessoal e comunitária.

 

A situação de instabilidade política que, a nível nacional e internacional, tem recebido uma condenação pública por parte dos órgãos políticos e da sociedade civil, é fruto do espírito de intolerância e de violência que está no coração de cada um de nós e que precisa de ser dominado para que se possa construir uma sociedade humana salutar. A construção de uma comunidade política, caracterizada pela convivência pacífica e pelo respeito pela diversidade de opiniões, exige que cada um de nós ultrapasse os obstáculos que existem no seu coração e na sua mente e que são: o egoísmo, o orgulho, a prepotência, a intolerância, a ganância, o individualismo, a omissão no agir ou no falar, a indiferença em relação à sorte dos outros; e, em relação ao bem comum, a negligência e a preguiça, que nos impedem de instaurar uma sociedade política na qual todos se possam sentir em casa própria. Trata-se daquele típico pecado social que é comum a todos os homens, sem distinção de sexo, de origem étnica ou tribal, de religião ou de tendência política. O pecado a que nos referimos, também é comum aos governantes e aos governados. De facto, não podemos negar o ditado que diz: «Cada povo tem o governo que merece!» A classe política não é mais do que uma pequena amostragem do povo que governa; portanto, jamais será diferente dos seus governados. É preciso que os moçambicanos não se iludam: somente terão justiça, não quando o governo for justo, mas quando, cada um dos cidadãos, procurar agir com justiça no seu dia-a-dia. A intolerância e a violência serão vencidas, não só pelos acordos de paz entre as forças militares, mas sempre que cada um dos moçambicanos souber respeitar a pessoa do outro e os seus direitos; o individualismo e a indiferença em relação à sorte do outro, encontram uma eloquente expressão nos governantes e nos administradores públicos, porque têm uma equivalência nos grupos sociais de base. Muitas vezes, uma parte dos cidadãos que com a sua indiferença, o seu egoísmo, os seus interesses privados, o medo e a ignorância, colabora com os seus governantes para perpetuar as injustiças, dão origem aos conflitos políticos. É por essa mesma razão que o nosso apelo à conversão, é dirigido a todos os moçambicanos, sem distinção e também a todos os estrangeiros, que estão ligados ao povo moçambicano por relações comerciais, diplomáticas, ou outras.

 

A vida de perfeição do nosso pai fundador, São Francisco de Assis, começa com a sua renúncia à riqueza, seguida pela opção por uma vida de penitência. Para São Francisco, as diferenças sociais que caracterizavam e perturbavam a convivência pacífica da sociedade do seu tempo, eram fruto do pecado colectivo e, por isso, a sua acção pastoral tinha o seu epicentro no convite dirigido aos habitantes de Assis para fazerem penitência e para se converterem ao Reino da partilha, da solidariedade, da subsidiariedade tal como tinha sido anunciado por Jesus.

 

Queremos, no entanto, recordar a todos vós, caros irmãos, que a reconciliação que garante uma convivência pacífica de uma comunidade política, a médio e a longo prazo, passa necessariamente através de uma nova distribuição equitativa dos bens da terra. De facto, a assimetria no acesso aos recursos e aos meios de subsistência, muitas vezes, nutre as tensões políticas que se transformam em conflitos armados.

 

A história das guerras ocorridas no continente africano, desde o período da descolonização até aos dias de hoje, mostra como a questão da distribuição equitativa da riqueza é fundamental para a instauração e manutenção de uma boa convivência política. O mesmo se poderá dizer no caso de Moçambique. Há muitos indícios que sugerem que a questão da redistribuição da riqueza seja uma das chaves interpretativas que explica a instabilidade político-militar e social que se vive hoje no País. Os últimos vinte e um anos, que deveriam ter sido um tempo fecundo para o estabelecimento de plataformas democratizantes, capazes de nutrirem a confiança recíproca entre as várias opções políticas, foram marcados por um crescimento sempre maior do abismo entre os exuberantes ricos, que detêm também o controlo político e os míseros pobres, que se vão tornando cada vez mais pobres, porque excluídos da participação político-económica; os vinte e um anos de paz foram também marcados pelo aparecimento de clubismos e de segregações corruptas, através da adopção de agendas visivelmente lesivas ao interesse comum, ou de negociatas ilícitas e até tráfico de influências.

 

A reconciliação é uma atitude na qual se reconhece a igualdade dos direitos do outro e se tutelam as necessidades dos menos privilegiados. Foi por isso que, depois do seu encontro com Jesus, Zaqueu manifesta e dá provas da sua conversão declarando que iria dar metade dos seus bens aos pobres e, se tivesse defraudado alguém em qualquer coisa, estava disposto a restituir-lhe quatro vezes mais (cfr. Lc 19, 8). Não é possível falar duma autêntica reconciliação, enquanto uns vivem na abundância e outros na penúria. A conversão, além de ser uma reorientação no relacionamento da pessoa humana com Deus, é também um acto social e comunitário. Foi por isso que, as multidões que perguntavam a João Baptista o que deviam fazer para manifestar a própria adesão ao anúncio da Boa Nova, este respondia: «Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo» (Lc 3, 11).

 

A nossa geração é testemunha do fenómeno da globalização, caracterizado pelo movimento transfronteiriço, não só de bens de consumo, mas também de pessoas. O nosso País ocupa um lugar privilegiado nessa nova dinâmica de relações internacionais, através dos acordos diplomáticos entre o nosso governo e os governos de vários povos, ou de instituições internacionais. Ocupa um lugar relevante, também, graças à sua cultura acolhedora e hospitaleira, e graças também à disponibilização dos seus recursos minerais e energéticos que, destinados em primeiro lugar, para o consumo e para o desenvolvimento dos moçambicanos, servem também para satisfazer as necessidades dos outros povos, conforme as regras estabelecidas pelo Código de Direito Internacional. Sendo assim, os moçambicanos não podem, por um lado, revelar uma grande capacidade de dialogar e de negociar com os povos de além-mar e, por outro lado, serem incapazes de dialogar e de encontrar consenso entre si mesmos.

 

Para terminar, dirigimo-nos, particularmente, aos altos dirigentes do Partido Frelimo e do Partido Renamo, para lhes dizer que o povo moçambicano anseia pela paz. Não a paz efémera, fruto da vitória das armas, ou do domínio do mais forte mas sim a paz como um estado de calma e tranquilidade, ausência de perturbações sociopolítico militares, ou então a ausência de violência e guerra. A paz que o povo moçambicano anseia não se reconcilia com o espírito de ira, de desconfiança e de sentimentos negativos. Por outras palavras, o povo quer a paz que nasce de corações reconciliados pela justiça e pela caridade. Tal paz é também a condição indispensável para a realização do “milagre económico” que traz benefício para todos.

 

Queremos igualmente recordar aos dirigentes políticos, nacionais e internacionais que, num Estado de Direito, não poderá nunca existir uma razão que justifique o uso da força das armas para manter, ou conquistar o poder político. Quer a conservação do poder político pela força, quer a sua conquista através da força são ilegítimas e condenáveis num Estado de Direito Democrático. Por isso pedimos, encarecidamente, e em nome do Deus da Paz, ao Partido no Poder e ao Partido Renamo para cessarem imediatamente as operações militares e retomarem o Diálogo. É urgente e inadiável escutar a voz da razão, a voz de Deus, a voz do povo, a voz da tolerância, a voz da concórdia e a voz dos princípios fundamentais do regime democrático.

 

Com São Francisco de Assis, é nosso augúrio que a Paz e o Bem se tornem valores vivenciais em Moçambique.

 

 

Maputo, 18 de Novembro de 2013

 

 

 

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Frei Evódio João

Custódio

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Profissões Solenes

No dia 11 de Agosto, Festa de Santa Clara de Assis, a Custódia de Santa Clara de Assis de Moçambique alegrou-se ao testemunhar a Profissão Solene (perpétua) dos seguintes irmãos:
Frei Benjamim Salvador
Frei Estêvão Chico Tomé
Frei Jaime Jemuce
Frei Benjamim Paulino Matipanha.
A Missa presidida pelo Custódio, Frei Evódio João, contou com a presença de muitos irmãos franciscanos, a destacar a presença do Senhor Cardeal Dom Alexandre, Arcebispo emérito de Maputo, dos Conselheiros, Frei Orlando António, Frei Filipe Quenquene e Frei José Juma Manuel, a presença do Frei Manhiça e Frei Lage, vindos de Roma, do Frei Nhaquila, vindo da Pretória, África do Sul, do Frei Enrique  e Frei Paulo, na companhia dos postulantes, vindos de Manjacaze, os sacerdotes Padre Abel, Dehoniano, Padre Sinate, Padre Jeremias, Padre Elpídio e outros.
 
 
Durante a homilia, o Frei Evódio falou do significado da vida de Santa Clara de Assis, uma mulher fraca aos olhos do mundo, mas forte diante de Deus, uma mulher pobre, porque na tinha nada, mas rica em virtudes. Exortou aos candidatos à profissão a não ter medo, pois o medo paralisa; a não ter medo de abraçar a pobreza, a castidade e a obediência. A ter coragem de enfrentar a vida consagrada com alegria.
 
Depois da Missa, no Salão Paroquial seguiu-se um momento de confraternização.
 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Profissões Solenes

 
No dia 23 de Setembro de 2012, na Igreja de Santo António da Polana, Maputo, emitiram os seus Votos Solenes na Ordem dos Frades Menores os seguintes irmãos: Frei Júlio João Quaria, Frei Paulo Luís Constantino, Frei Edson Ausgusto Nhatuve, Frei Lameque André Michangula e Frei Agostinho Julieta Matlavele.
 
A celebração presidida pelo Senhor Dom Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo, contou com a presença do Senhor Dom Hilário da Cruz Massinga, Bispo de Quelimane, os Frades Menores de Moçambique, os pais do professandos, religiosos e religiosas, os fiéis de Santo António da Polana e convidados.
 
Durante a homilia, o presidente da celebração explicou o sentido das leituras que davam um ensinamento sobre a sabedoria divina e supera a terrena. Quanto à profissão, o Senhor Arcebispo tocou nos desafios da Vida Consagrada e apelou a todos, os prefessandos, os frades menores, familiares e o povo a fazer tudo por tudo para respeitar o compromisso que era tomado naquele dia.
Depois da Santa Eucaristia, seguiu-se ao Copo d´Agua e recreação no Salão Paroquial.
 
Da esquerda para direita: Frei Paulo, Frei Júlio, Frei Agostinho, Frei Lameque e Frei Edson.
 
 


Páscoa do Frei Macieira

Em conversa comigo, o Frei José Macieira, guardião da Fraternidade Internacional dos Frades Menores do Saint Bonaventure College, em Lusaka, Zambia, teria manifestado o desejo de ficar algum tempo em Moçambique durante as férias de Junho - Agosto. O tal desejo estava em vista à sua participação na Assembleia Anual da Custódia (Guiúa, 17 – 19 de Setembro) e nas Profissões Solenes de 5 irmãos da Custódia (Maputo, 23 de Setembro). Só depois desses actos é que o Frei Macieira regressaria à Lusaka.

Conforme o programado, o Frei Macieira, depois de visitar os seus irmãos em Francisco, familiares de sangue e amigos de simpatia, participou na Assembleia e nas Profissões.

No dia 25, aproveitando a boleia do Frei Miguel, o animador vocacional, que ia a Chimoio, o Frei Macieira, na companhia do Frei Eduardo e Frei Ricardo, partiram com escala em Inhambane. O Frei Ricardo ficou na sua fraternidade, em Mocumbi, e os restantes irmãos continuaram a viagem e dormiram em Inhambane. No dia seguinte, dia 26, continuaram com a viagem, rumo a Chimoio. O Frei Miguel conduziu o carro até Maxixe, o outro lado da Baía de Inhambane, cerca de 50 Km de distância, e depois os destinos ficaram nas mãos do Frei Macieira. Tudo estava a correr muito bem, pararam em Mapinhane, cerca de 200km da Maxixe, saudaram a Directora da  Escola, uma religiosa, amiga do Frei Macieira. Depois das saudações continuaram com a viagem.

Depois de atravessar o Rio Save, perto de Muxungue, por volta do meio dia, o sono assaltou o carro e apoderou-se dos seus ocupantes. O Frei Miguel quando desperta, o carro já se encontrava fora da faixa de rodagem, no mato, na mão contrária. Foi nessa altura que o Frei Miguel chamou à atenção ao Frei Macieira  e este, na querendo controlar a situação, tentou repor o carro na faixa, mas sem sucesso, pois o carro atravessou a estrada; o Frei Miguel, sem saber como, vê-se sentado no chão, assiste o derradeiro momento do Frei Macieira: o carro capotou: rodas no ar, virado para a direcção de origem. Os dois ocupantes continuavam na viatura, a sangrar. O Frei Eduardo com ferimentos nas ambas as mãos e na cabeça; o Frei Macieira entalada no carro, com golpes fortes na cabeça e na mão direita – sem palavras, somente suspirava.

Com ajuda de algumas pessoas que acorreram ao sítio, o Frei Macieira foi retirado do carro, estendido no chão; passados alguns minutos expirou.

Os Padres Combonianos de Muxungue, assim que receberam a notícia, dirigiram ao local e levaram o Corpo do Frei Macieira e os restantes  companheiros  para o Hospital de Muxungue. Os feridos estavam, conforme os exames médicos, estavam fora do perigo.

Nisso, chegou ao local, vindo de Chimoio, o Frei José Manuel Bambo, na companhia do Seminarista Nhaquila;  Feitos os trâmites, não havendo no local meios para a conservação de corpos, o Frei Bambo levou os seus irmãos, vivos e falecido, para Chimoio naquele mesmo dia.

No dia 28, logo a seguir à Missa das 18:00h, na Sé Catedral de Chimoio, iniciou o velório até ao dia seguinte. Já às 8:00h do dia 29, no mesmo local, celebramos a Missa do Corpo Presente no meio de uma grande moldura humana. Participaram deste acto pessoas vindas de Maputo, Inhambane, Beira, Tete, Zimbabwe, Zâmbia e ainda de outros lugares. Depois da Missa, o Cortejo Fúnebre dirigiu-se à Marera, terra natal do Frei Macieira, para o enterro.

O corpo do Frei Macieira repousa na Missão de Marera, ao lado de seu sobrinho, Padre Ezequiel falecido há alguns anos.

Que a alma do Frei Macieira descanse em Paz.

 
Frei Evódio

terça-feira, 13 de março de 2012

Comunicado do Conselho da Custódia



ORDEM FRANCISCANA

Custódia Autónoma de Santa Clara de Assis de Moçambique

Av. Armando Tivane, 1701 – CP 3666

00310 - Maputo – Moçambique



Comunicado do Conselho da Custódia

No dia 17 de Fevereiro, na Fraternidade de Santo António da Polana - Maputo, teve lugar a primeira Reunião Ordinária do ano de 2012 do Conselho da Custódia Autónoma de Santa Clara de Assis de Moçambique. Sob a presidência do Custódio, frei Evódio João, participaram nesta Reunião os seguintes irmãos: frei Amaral Bernardo Amaral, Vice-Custódio, frei José Juma Manuel, frei Orlando António e frei Filipe Quenquene, Conselheiros. Não esteve presente, por motivos justificados, frei Lucas Gololombe, conselheiro. Entre vários assuntos tratados, comunicamos aos irmãos os seguintes:





1.     VIAGEM DO CUSTÓDIO



            Roma – Formação dos Recém Eleitos Provinciais e Custódios

            Entre os dias 15 e 27 de Janeiro de 2012, na Cúria Geral em Roma, o Custódio participou no Encontro dos recém-eleitos Provinciais e Custódios. Durante o encontro foram tratados vários temas sobre a nossa vida franciscana, dos quais, a Restruturação e Redimensionamento, o Papel do Definitório Provincial na Província, a Ajuda aos Irmãos em Dificuldades, a Economia de uma Entidade, a Resolução de Conflitos na Vida Fraterna, Moratorium, Inquérito Sobre o Estado da Ordem Hoje etc. No último dia do encontro, Frei Evódio foi recebido em audiência particular pelo Ministro Geral que falou sobre a formação dos noviços em Portugal e dos professos temporários em Moçambique e fora de Moçambique  e de outros assuntos relacionados à nossa Custódia.

            Em Roma, o Custódio visitou os nossos irmãos residentes, nomeadamente, o Frei Alfredo Maurício Manhiça, Frei Lage Nhampoca, Frei Domingos Simbe e Frei Lourenço Laquiço. Os irmãos estão bem e os seus trabalhos estão a correr bem, com a exepção do Frei Domingos que desde dia 17 passado está internado no Hospital Policlínico Gemelli, padecendo de uma doença ainda não muito bem identificada.



            Portugal – Visita aos Irmãos Noviços e Antigos Missionários

            Em Portugal, entre os dias 29 de Janeiro e 5 de Fevereiro, o Custódio fez as seguintes visitas:

1.        Aos irmãos noviços, Frei Adelino, Frei Dionísio e Frei Hilávio – estão bem e a equipe de formação também.

2.        Aos Antigos Missionários de Moçambique – Frei Marques Júnior, Frei Jorge Chaves, Frei Maciel, Frei Armindo, Frei José Maria, Frei Araújo, Frei Aquiles – todos mandam saudações.



            Durante o tempo de visita, o Custódio teve encontro com o Provincial, Frei Vítor Melícias, para rever a Cooperação existente entre as duas entidades e as novas perspectivas, atendendo os tempos que estão em mudanças.





2.     CALENDÁRIO DE ACTIVIDADES PARA 2012



            A calendarização das actividades é uma chave muito importante para a realização do Projecto de Vida. Ouvido o parecer dos guardiães sobre o esboço das actividades e depois de um estudo aprofundado, o Conselho da Custódia estabeleceu os dias, os agentes e o local de realização das diversas actividades a tomar lugar neste ano de 2012. Algumas das actividades que não foram contempladas requerem um pouco mais de estudo de viabilidade. 

            Para o calendário das actividades, ver o anexo.



            Retiros Anuais da Custódia

            O primeiro retiro anual da Custódia terá lugar no mês de Maio, o pregador vai ser o Frei Armindo de Jesus Carvalho; o segundo, no mês de Setembro, o pregador poderá ser provavelmente o Frei António Correia Pereira; ainda por confirmar. Os dois retiros realizar-se-ão em Jangamo e vão requerer a inscrição antecipada dos interessados, pois estão abertos a toda a família franciscana.





3.     IRMÃOS



            Colocação de Frei Joaquín

            O Frei Joaquín Pérez Chumacera, novo missionário, proveniente da Província de los Santos Francisco y Santiago do México, já está no meio de nós desde o dia 15 de Janeiro. Recebendo-o de mãos abertas e com muita alegria, como um reforço precioso para a nossa vida de fraternidade e para a pastoral, o Conselho decidiu colocar este nosso irmão na Fraternidade da Beira. Atendendo que as Fraternidades estão em período inicial de estabelecimento, o Frei Joaquín viaja a Beira já no dia 23 do corrente mês, para dia seguinte participar na tomada de posse do Guardião da sua nova Fraternidade. A visita a outras Fraternidades da Custódia poderá faze-la oportunamente, para ter uma imagem abrangente da realidade de Custódia. Ao Frei Joaquín desejamos uma boa viagem a Beira e muitos sucessos na sua missão.



            Ordenações

            No passado dia 19 de Fevereiro, foram ordenados os nossos irmãos, Frei Ricardo Mário A. José, sacerdote, e Frei Afonso Ernesto Matsimbe, diácono, na Paróquia de Santo António da Polana. A celebração foi presidida pelo Arcebispo de Maputo, Sr. Dom Francisco Chimoio. A esses nossos irmãos damos os nossos parabéns e fazemos votos que desempenhem devotamente os ministérios que abraçaram para o bem da Igreja e do povo de Deus.





4.     FORMAÇÃO



            Seminário de Santo António: Candidatos ao Postulantado

            O Seminário de Santo António de Chimoio propôs quatro seminaristas para entrarem no Postulantado este ano.  A partir  deste ano o Postulantado vai ter lugar em Manjacaze, começando, portanto, com esses quatro jovens seminaristas que devem chegar lá no dia 24 de Fevereiro.









            Postulantado – Candidatos ao Noviciado

            No dia 5 de Janeiro encerrou o Postulantado em Jangamo e os quatro jovens que lá estiveram saíram à férias. Regressados das férias, os postulantes estão no Maputo (excepto um que se despediu dois dias depois que chegou a Maputo) a tratar da documentação e das análises médias necessárias para a preparação da viagem ao Noviciado em Portugal.



            Egressos: Frei Biasse e Frei Keoma

            No fim do ano lectivo de 2010, o Frei Daniel Biasse foi aconselhado a não prosseguir o quarto ano de Teologia, para fazer uma experiência forte de renovação das suas motivações vocacionais. Depois de várias tentativas de resgate sem sucesso, em Homoíne e em Jangamo, o seu pedido de renovação de votos teve resposta negativa da parte do Conselho da Custódia e por isso já está fora da Ordem, desde o dia 16 de Janeiro de 2012.

            No dia 7 de Fevereiro, menos de um mês depois da renovação de votos, o frei Keoma da Felicidade Estima, que acaba de chegar no Lar São Boaventura para fazer o primeiro ano de Teologia, apresentou o seu pedido de abandono da Ordem. O Custódio, ouvido o parecer do Conselho da Custódia, dispensou o Frei Keoma da vida comunitária, podendo assim seguir para a sua família, enquanto aguarda a resposta do Ministro Geral. Ao Frei Keoma desejamos bom enquadramento no mundo.



            Cancelamento do subsídio para a formação na Custódia

            O subsídio para a formação, que vinha sendo suportado pela Cúria geral, desde há muito, com a aprovação do orçamento anual que o Economato da Custódia apresentava, caiu na ruína. O cancelamento definitivo deste subsídio compromete não só a formação mas toda a vida da Custódia que se assegurava nele para a realização das suas actividades. O grande problema com que nos devemos debater é: “Que fazer para suportar a formação e a vida das Fraternidades?”



5.     OUTROS



Valorização dos imóveis da Custódia

            O Lar São Francisco de Chimoio, devolvido à Custódia em Setembro passado, e a casa de Jangamo estão a despertar algum interesse de valorização. Há já contactos iniciais de arrendamento mas vamos precisar de tempo para fazer um estudo aprofundado que nos evite dissabores no futuro, como aqueles que temos com algumas das nossas propriedades.



            Próxima reunião do Conselho: Beira, 2-4 de Maio 2012 







Frei José Juma Manuel

(Secretário)